Região sem centro de apoio para deficientes motores

Diário de Notícias
13/06/2003

Na Madeira, em Portugal, não existe ainda um centro para deficientes motores

Comentário SACI: Matéria publicada em 12 de junho de 2003.

Marta Caires

MADEIRA/PORTUGAL - A Catarina tem três anos e meio e, tal como o Alexandre, de quatro anos, sofre de paralisia cerebral.

São, por isso, crianças diferentes que precisam de uma educação especial que dê uma atenção aos problemas motores que têm. No entanto, na Madeira, não existe ainda um centro para deficientes motores e o próprio secretário da Educação reconhece que as instalações provisórias onde se presta apoio a estas crianças não são as melhores.

A construção do centro consta do actual programa do Governo Regional e está agendada para o próximo ano.

Francisco Fernandes explicou ao DIÁRIO que a obra é da responsabilidade do Equipamento Social e será esta secretaria a encontrar o terreno e a fazer o projecto.

Para já, porém, tudo indica que, em 2004, começam as obras para colmatar uma lacuna nos serviços de educação especial, já que o Governo Regional admite "que as actuais instalações não têm as melhores condições".


A promessa e as dificuldades

2004 parece ser a data provável, mas os pais das crianças com deficiência motora temem que tudo não passe de mais uma promessa. "Dizem que há 20 anos que esse centro está prometido e, entretanto, foram feitas outras coisas, e subsidiadas tantas instituições", lembra Paulo, o pai de Catarina. A sua principal preocupação é que chegue o momento de a filha deixar a creche e o centro continue por fazer.

"Como é que vai ser o futuro? Eu sei as dificuldades que tive para encontrar uma creche para a minha filha. Tive de esperar um ano e dar o nome em cinco estabelecimentos. Eu sei que há falta de vagas, mas sendo deficiente ainda é pior". E, no entanto, ninguém imagina como foi benéfico para a Catarina ir para a creche.

"É que é um ambiente mais alegre. As outras crianças aproximam-se, dão beijinhos, aceitam bem", explica Irénio, o pai de Alexandre, um menino de quatro anos que também sofre de paralisia cerebral. E afecto e carinho só fazem bem, mas, nas creches, nem tudo é simples. Estas crianças precisam de apoio especial e os terapeutas da Educação Especial têm muito trabalho e muitas visitas a fazer por dia.

O facto podia ser compensado se existisse o ambicionado centro de apoio para deficientes motores, que devia ter piscina e até apoio com cavalos, animais importantes para o treino do equilíbrio. O apoio que existe é pouco e não é o melhor. Na Sagrada Família, e nas instalações da Associação de Paralisia Cerebral, são exíguas.


Ambiente Pesado

Estes dois pais queixam-se do ambiente pesado. "As crianças ficam fechadas num quarto pequeno, não apanham sol, não vão ao jardim". O pior é que sentem que, a cada dia que passa, perdem uma oportunidade de melhorar um pouco a condição dos filhos. Ainda assim, fazem tudo o que podem. Consultam médicos, experimentam novas terapias e recorrem aos serviços particulares de terapeutas.

A situação financeira permiti-lhes isso, mas sabem que nem todos têm as mesmas possibilidades. "E quem não tem posses? O que faz para dar uma vida melhor aos filhos? É que, para ajudar um deficiente motor, é preciso, por ano, pelo menos 500 euros em material ortopédico. E, desse valor, apenas 10 por cento é comparticipado", garante Paulo, que entende que os apoios da Segurança Social deviam ser maiores. É que, se há dinheiro para o futebol profissional, também podia haver para os deficientes que são cidadãos como as pessoas ditas normais.

Com mais ou menos dificuldades, o pai de Alexandre e o pai de Catarina fazem o que podem por lhes dar uma vida melhor.

É que, apesar dos incidentes na altura do parto que lhes ditaram um destino diferente, nenhum esquece que os filhos foram desejados. "A Catarina que eu tenho não foi a que eu imaginei, mas amo-a do mesmo modo, como um pai ama uma filha".


Associação de pais

Um grupo de pais de crianças com paralisia cerebral está a ponderar a hipótese de formar uma associação de pais.

Este organismo passaria a ser o interlocutor entre pais e entidades oficiais.

"Seria uma forma de nos receberem e ouvirem os nossos problemas", explica Paulo, pai da Catarina, uma menina de três anos e meio que sofre de paralisia cerebral.

E há muito para debater, tanto com a Secretaria Regional de Educação como com a Secretaria Regonal dos Assuntos Sociais.

Com a Educação, há os problemas em encontrar uma creche que receba deficientes e o fraco apoio dos serviços da Educação Especial.

Nos Assuntos Sociais, há que debater um sistema de segurança social que ajude na aquisição de material ortopédico.

É que as despesas anuais andam à volta de 500 euros e a comparticipação é de apenas 10 por cento.

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