Exclusão dos Excluídos
Rede SACI
São Paulo-SP, 13/01/2003
Márcio Aguiar comenta notícia sobre distribuição de bolsas para excluídos
Marcio Aguiar
Leiam o absurdo de matéria que segue abaixo. Recebi esta de uma amiga e cheguei a conclusão de que também quero bolsa! Por que, quando falam em excluídos neste país, só lembram de negros, índios, nordestinos e etc? E os portadores de deficiência? Até das mulheres se lembram, mas e os deficientes? Pelo o que me consta, já vimos mulheres, negros, nordestinos e até mesmo índios ocupando cargos de primeiro escalão nos governos... e os deficientes?
Em se tratando de educação, o que faz com que um negro seja menos capaz que um "branco" de conquistar seus espaços? Isso é preconceito também! As pessoas são iguais, independentemente de cor, raça e etc. O que tem que haver são igualdades de oportunidades, isso sim!
Se formos pensar bem, existem só duas categorias de pessoas: as pessoas sem deficiência e as pessoas portadoras de deficiência. Por que digo isso? Por que existem negros ditos normais, sem qualquer tipo de deficiência e negros portadores de deficiência; existem índios "normais" e índios portadores de deficiência; existem mulheres "normais" e mulheres portadoras de deficiência, portanto, em todos os segmentos sociais existem pessoas portadoras de deficiência e pessoas ditas normais. Então, por que privilegiar um segmento social e "excluir" as pessoas portadoras de deficiência?
Por que sempre se "esquecem" da gente? Alguém já pensou nas dificuldades que um cego tem para estudar? Alguem já pensou que uma pessoa em cadeira de rodas não consegue sequer chegar a sua escola porque não existe transporte adaptado na maioria dos centros urbanos? Alguém já pensou nas dificuldades de comunicação que um surdo tem para estudar numa sala comum? Pelo amor de Deus! Para mim, falar em igualdade de oportunidades para negros, índios ou em qualquer grupo social, que não pense a questão do portador de deficiência, é piada ou má fé. Abaixo segue o artigo para reflexão.
Bolsa para excluídos
Matéria publicada no jornal Correio da Bahia em 09/01/2003
Na mesma linha das ações compensatórias, como as cotas para afrodescendentes em algumas universidades brasileiras, a Fundação Ford, em parceria com a Fundação Carlos Chagas, está recebendo inscrições, até o dia 16 de janeiro, para a seleção do Programa Internacional de Bolsas de Pós- Graduação (International Fellowships Program-IFP).
Realizado pela Fundação Ford em 22 países, o programa está na sua segunda edição no Brasil e já distribuiu 42 bolsas para pesquisadores que estão atuando em universidades federais, estaduais e particulares, como a Unicamp, USP e PUC. Residir na região Norte, Nordeste ou Centro - Oeste, ser de origem negra ou índia e realizar algum tipo de trabalho comunitário são alguns dos critérios para a aprovação da bolsa.
"O IFP é um programa de bolsas diferenciado, explicitamente direcionado a pessoas que normalmente não teriam acesso à continuidade do ensino superior, a grupos sistematicamente excluídos e que por isso têm dificuldades em seguir uma pós-graduação", explicou Nigel Brooke, diretor da Fundação Ford no Brasil. O objetivo, acrescenta, "é que os bolsistas venham a usar esta formação para tornarem-se líderes em seus campos de atuação, promovendo o desenvolvimento de seus países e uma maior justiça econômica e social".
De acordo com Fúlvia Rosemberg, do Departamento de Pesquisas Educacionais da Fundação Carlos Chagas, o programa tem um nítido caráter de ação afirmativa. "Visa combater a desigualdade no acesso aos cursos de mestrado e doutorado", disse. Especializações e MBAs, lembra ela, não serão contemplados.
Aprovado pelo conselho da Fundação Ford em setembro de 2000, ao longo de dez anos, o programa prevê a distribuição, em todo o mundo, de cerca de 3.500 bolsas, com duração máxima de 24 meses para mestrado e 36 para doutorado. A dotação total é da ordem de US0 milhões.
"Além desses critérios, as propostas de pesquisas devem ter uma perspectiva de retorno social e estar dentro de um dos 13 campos de atuação da Fundação Ford, como direitos humanos, igualdade, justiça e desenvolvimento", lembrou Rosemberg, que coordena também o Núcleo de Estudos de Gênero, Raça e Idade, na PUC de São Paulo.
A documentação deve ser enviada à Fundação Carlos Chagas, exclusivamente por correio, até o dia 16 de janeiro. A avaliação das candidaturas será realizada entre 17 de janeiro e 15 de junho, e os resultados serão anunciados a partir de 15 de julho. Informações sobre os requisitos para a obtenção das bolsas podem ser obtidos através do site www.programabolsa.org.br, pelo e-mail programabolsa@fcc.org.br ou ainda pelo telefone (11) 3722-4404.
Prioridade para negros e índios
Os números da primeira seleção para as bolsas, no ano passado, revelam a distribuição dos incentivos às pesquisas. Vinte e seis por cento dos recursos foram destinados aos doutorandos, 55% para mulheres, 91% para pessoas de origem negra ou indígena, e 71% para pesquisadores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O Programa Internacional de Bolsas de Pós-Graduação da Fundação Ford será realizado até 2007. "É importante que pessoas ainda em cursos de graduação tenham conhecimento da sua existência, e dos requisitos exigidos para a participação, para que possam começar a preparar-se para as próximas seleções", disse Fúlvia Rosemberg.
Os proponentes podem se inscrever em qualquer universidade, do Brasil e do exterior, sendo que o benefício não garante a sua inclusão, devendo se submeter aos exames da instituição escolhida. Além dos recursos para a realização dos projetos de pesquisa, o programa prevê um período pré-acadêmico, oferecendo apoio na preparação - cursos de idiomas e informática.
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