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Ações e reflexões sobre aids e deficiência: diferentes vozes
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| Aluna Luiza sente rosas vermelhas com a mão. Ao seu lado, e segurando seu braço para indicar o caminho, uma funcionária da Dorina Nowill. |
Logo que o grupo desceu da van, Rejane Padovani, consultora pedagógica, começou a descrever o local para eles. Era um dia ensolarado e de muito calor no centro da cidade. A praça do Largo estava pouco movimentada, apenas algumas pessoas descansavam na sombra. À frente do grupo, uma banca de flores, onde a atividade seria realizada. Os participantes, em torno de 10 pessoas, foram divididos em grupos menores para poder acompanhar a aula de Renata Ashcar, professora do curso.
As aulas de Avaliação Olfativa normalmente são dadas em um laboratório, onde os alunos têm contato com as fragrâncias em óleos. Um dos principais objetivos é desenvolver a chamada memória olfativa, atributo fundamental para um profissional da área e uma das principais razões para a realização das visitas externas.
O curso tem duração de um ano, será dedicado ao ensino teórico e prático sobre os temas relacionados à perfumaria e ao mercado de trabalho e mais seis meses de estágio, para aprimorar as habilidades olfativas do aluno. Os temas das aulas envolvem História da perfumaria e da arte, linguagem e tendências da perfumaria, famílias olfativas, matérias-primas, avaliação olfativa e sensorial, marketing e comunicação, além de preparação para o mercado de trabalho.
A iniciativa partiu da empresária Tânia Bulhões, que procurou a parceria com a Fundação Dorina Norwill. A grade curricular do curso foi adequada conforme um estudo de necessidades e expectativas da indústria de perfumaria. O projeto inicial prevê a capacitação de 4 turmas, entre agosto de 2011 e dezembro de 2013.
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| Marina, aluna do curso, de perfil, observa flor vermelha. Ao fundo da foto, funcionárias do Dorina Nowill, que observam Marina e sorriem
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Na floricultura, Renata retomava algumas lições aprendidas no laboratório, mas agora com as matérias primas. Os alunos não somente cheiravam como também tateavam as flores e temperos. Perguntada sobre qual era o perfume que mais gostou, Luiza Antônia, 18 anos e cega de nascença por um erro médico, disse: “As rosas. Eu me identifico com elas”.
Perceber os objetos pelo tato e cheiro se torna necessário quando se é cego. Maria de Neida, 40, diz que ”Quando não se enxerga, você deve identificar as coisas com o que tem”, mas completa: “Enxergar é relativo. Aquilo que vocês (não-cegos) não vêem nós percebemos”
A segunda parte da visita foi realizada no Mercado Municipal de São Paulo. Inicialmente, os alunos foram para uma banca de frutas onde entraram em contato com outros tipos de fragâncias, assim como frutas exóticas. Além de sentir o perfume, também puderam tocar e prová-las. O grupo chamou bastante atenção nos corredores do Mercado. Maria de Neida brincou: “Vamos começar a cobrar ingressos”.
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| Alunos sentem o aroma das frutas em suas mãos |
Dessa vez todos os alunos se reuniram ao redor de Renata, que acompanhada de um funcionário da banca de frutas, explicava as fragâncias e entregava as iguarias para os participantes. “As frutas são altamente utilizadas na indústria de perfumaria” disse. Não a toa, muitos reconheceram o pêssego como cheiro de shampoo ou sabonete, assim como a laranja e tangerina como perfumes que eles mesmo usavam. Renata comentou que o aroma cítrico, o qual tiveram contato no laboratório, é o mais usado em perfumaria e ficou feliz pelos alunos reconhecê-los através das frutas nessa atividade.
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| Aluna Bruna, que está cega há dois anos |
A indústria de perfumaria é o principal objetivo para os alunos do curso. Luiza Antônia está confiante em sua formação: “É uma oportunidade de finalmente entrar no mercado de trabalho”. Um caso mais curioso é o de Bruna de Freitas Aguilar, 29 anos. Bruna sempre quis estudar perfumaria e chegou até cursar o técnico em química, mas não pôde prosseguir com seu sonho. “Eu teria que me mudar para a França para estudar e meus pais não me deixaram” disse. Bruna estudou Administração de Empresas e trabalhava na área. “Eu até gostava de ser administradora, mas estudar perfumes é mais divertido” brinca e continua: “O curso é sensacional, temos aulas com bons professores”.
Mas Bruna não era a única com algum contato na área. Roselaine Evaristo, 29 anos, que está em acompanhamento na Fundação Dorina Novill há dois anos, quando descobriu que tinha Distrofia de Cones, trabalhou em uma indústria química antes e com o curso vê uma chance de voltar para a área. Sobre a atividade externa Roselaine diz que “é muito bom para os alunos se aprimorarem, conhecer as matérias primas, de onde vêm as essências, para que assim se tornem profissionais qualificados. Na vida tem que pesquisar para conhecer.”
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| Roselaine Evaristo ao lado de sua irmã Gisele |
Sua irmã, Gisele Evaristo, 18 anos, acompanhava a turma de longe. Disse que depois que Roselaine começou a perder a visão foi acompanhá-la nas atividades que a Fundação oferecia. Nesse dia, saiu do trabalho para ir junto com o grupo. “Minha irmã está em primeiro lugar”, diz Gisele.
Os participantes não foram os únicos a se beneficiar da experiência. Renata, a professora, que possui uma carreira dedicada aos cosméticos, disse à reportagem que foi “uma oportunidade de botar em prática o ensino da perfumaria”.
A visita terminou ainda no Mercadão, mas dessa vez em uma banca de especiarias. Já era em torno das 17h quando os participantes retornaram à van, satisfeitos com seus resultados e ansiosos para a próxima vez.
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