Protesto contra a decisão do INEP
Rede Saci
05/11/2009
Teófilo Galvão Filho fala da decisão excludente do INEP de não deixar Gulherme Finotti, jovem com deficiência, utilizar recursos tecnológicos para a prova do ENEM
Teófilo Galvão Filho
Como professor e pesquisador em Tecnologia Assistiva para a inclusão educacional de alunos com deficiência, com pesquisa de doutorado (http://www.galvaofilho.net/tese.htm) desenvolvida nessa área, parece-me incompreensível e escandalosamente excludente a decisão do INEP de não permitir que o aluno Guilherme Finotti, que possui sequelas motoras graves de paralisia cerebral, realize a prova do ENEM utilizando os recursos tecnológicos e adaptações que lhe permitem explicitar seus pensamentos e conhecimentos, conforme é noticiado na seguinte matéria: "Jovem deficiente é barrado pelo Enem".
Nesse obstáculo, interposto pelo INEP, para a inclusão e participação de Guilherme Finotti nas possibilidades de crescimento e desenvolvimento social que deveriam ser disponiblizados a todos os cidadãos, enxergo também as barreiras, dificuldades e sofrimentos de diversos outros alunos meus, com as mesmas características e necessidades de Guilherme, e que são desestimulados por essa atitude do INEP, na sua luta para o aprendizado e crescimento pessoal.
Lamento profundamente essa atitude, que vai frontalmente em oposição aos novos passos e decisões da sociedade e do Estado brasileiro, que aprovou em 2008, com o status de Emenda Constitucional, a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, uma convenção internacional aprovada na ONU, que tipifica claramente decisões com essa do INEP como discriminatórias.
Espero e conclamo que essa posição excludente, discriminatória e anacrônica ainda possa ser revista e modificada, em direção a decisões mais democráticas e inclusivas, cumprindo, assim, o INEP, com a sua função e relevância social de forma mais cabal.
Atenciosamente,
Prof. Teófilo Galvão Filho
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