Portadores de lesão medular

A medula espinhal não é apenas uma via de comunicação entre as diversas partes do corpo e o cérebro, como também um centro regulador que controla importantes funções

Tais como a respiração, circulação, bexiga (micção), intestino (evacuação), temperatura e atividade sexual, ou seja, não é importante apenas pela motricidade e sensibilidade, mas também faz parte do
Sistema Nervoso Autônomo.

Assim, o trauma ou a patologia que altera a função medular produz, como conseqüência, além de déficits sensitivos e motores, alterações viscerais, sexuais e tróficas. Causa grande incapacidade por perda das funções motoras e reflexas abaixo do nível da lesão medular e acarretam complicações clínicas importantes. As lesões medulares completas envolvem a perda total da sensibilidade, da motricidade, dos reflexos motores e autonômicos e do controle esfincteriano comandados por neurônios que se situam abaixo da lesão.Nas lesões incompletas há a preservação parcial da sensibilidade, da motricidade ou de ambas, abaixo do nível da lesão.

A lesão medular pode ter causas traumáticas e não traumáticas. As lesões traumáticas correspondem à maior parte dos casos.

As lesões acima do segmento medular T1 causam tetraplegia, já as lesões de T1 em diante causam paraplegia. O prognóstico funcional é determinado pelo nível grau de lesão.

O terapeuta ocupacional integra esta equipe e atua visando não apenas a recuperação funcional da pessoa com lesão medular, mas também outros aspectos, como questões referentes à aceitação da deficiência, inclusão social, atividades de trabalho, entre outras.

Assim, em sua avaliação o terapeuta ocupacional irá considerar, além dos aspectos motores, de sensibilidade e as complicações clínicas, as questões referentes às AVDs, AVPs, AVTs, AVLS, postura e posicionamento, adequação de cadeira de rodas, contexto familiar, entre outros, de acordo com as demandas, necessidades e potencialidades de cada paciente.

As orientações para familiares ou cuidadores também são muito importantes durante o processo de reabilitação. Muitas vezes faz-se necessária a atuação com outros profissionais da equipe de reabilitação, o que proporciona melhor qualidade de atendimento e uma intervenção mais ampla.

Aspectos que devem ser considerados no que se refere mais especificamente ao uso do computador durante o processo de reabilitação da pessoa com lesão medular:

  • Disreflexias autonômicas com alteração de pressão, sudorese, vertigem;
    Edemas, dependendo do posicionamento dos membros pela dificuldade do retorno venoso;

  • Motricidade, presença de espasticidade, hipotonia, diminuição da força muscular que dificultam o movimento da articulação em toda a amplitude ou contra a ação da gravidade, fraqueza muscular que permite a realização do movimento, porém com fadiga;

  • Amplitude de movimento, cabeça e coluna cervical podem delimitar o raio de ação da capacidade funcional do indivíduo sentado para uso de adaptações e posicionamento do mobiliário;

  • Amplitude de movimento do membro superior irá determinar o tipo de apoio e o modo de posicionar as adaptações;

  • Movimento do punho e mão, amplitude de movimento, força de preensão, capacidade de manipulação e coordenação, são fatores que determinarão o tipo de adaptação para auxílio ou substituição da função;

  • Controle de tronco, estabilidade e alterações posturais do tronco durante a atividade determinam o tipo de fixação do mesmo, visando liberar a movimentação ativa do membro superior para a atividade sentada;

  • Sensibilidade dolorosa (capacidade de sentir dor em diferentes intensidades), térmica (temperatura quente a frio), proprioceptiva (em relação ao próprio corpo );

  • Controle de esfíncteres;

  • Úlceras de pressão.

PARAPLEGIA: não há comprometimento em relação a membro superior e coordenação punho e mão, tendo como impedimento motor, em alguns casos, a dificuldade do equilíbrio de tronco, alteração de sensibilidade, não correção postural automática, úlceras de pressão, edemas, espasticidade em membros inferiores e o controle esfincteriano deficitário dificultando a transferência do mesmo para a cadeira comum durante o uso do computador.

Nestes casos, foram observados aspectos ergonômicos quanto à colocação de todos os componentes do computador propiciando menor gasto energético e em posição a mais funcional possível, evitando deformidades. Também atuamos junto à família para instalação do equipamento no local de melhor acesso.

TETRAPLEGIA/PARESIA: apresentam comprometimentos dos membros inferiores e superiores, bem como do tronco. Além dos aspectos já citados acima quanto às adequações posturais e de apoio do tronco, foram realizados ajustes do ângulo entre a cadeira e o equipamento, posicionamento do ombro, cotovelo, antebraço, punho e mão, observando-se com cuidado os pontos de apoio e de alavanca. Também utilizamos adaptações para substituir preensão de acordo com a possibilidade de movimento de cada um.

Para muitos, foi necessário desenvolver um modelo próprio, levando-se em consideração facilidade em colocar peso, pontos de apoio, facilidade de aquisição, praticidade do uso. Podemos ressaltar que muitas adaptações ao longo do trabalho foram modificadas ou suprimidas, de acordo com a evolução do paciente. O mesmo podemos dizer em relação aos softwares adaptados utilizados.


Voltar para página do CIC eRehab

Compartilhe:

Busca

Busca do governo

* Estatísticas

Visitas: 29.010.909

* Realização:

logo da USP logo da PRCEU

* Fale Conosco

Entre em contato com o Programa USP Legal