Um passeio em família na ReaTech
Rede SACI
09/05/2003
Marcela Vaz Silva esteve na última edição da feira e notou descuidos com relação à acessibilidade
Marcela Cálamo Vaz Silva*
SÃO PAULO/SP - Domingo, dia 27 de abril, estive na ReaTech. Fomos eu, Bene e filhote. Desta vez resolvi levar meu filho também porque achei que seria importante para ele o contato com outros portadores de deficiência. O engraçado foi que ele ficou tão fascinado com tudo que viu, cadeiras motorizadas, elevadores hidráulicos, carros com partes recortadas mostrando como são feitos e outras coisas que para ele eram novidades, que não deu a mínima para os outros cadeirantes.
A feira, este ano, ocupou um espaço bem maior, foram dois pisos com muitos stands. Os corredores me pareceram mais amplos, mas ainda com aquele "bendito" carpete no chão, que dificulta a vida de todo cadeirante. Tudo bem que neste ano trocaram por uma forração que dificultava menos para tocar a cadeira, mas ainda assim, não adequada. O ideal seria um piso liso como o que tinha na entrada da feira, antes da área dos stands.
Eu não pude olhar tudo com muita atenção, pois a atenção maior era para o filhote correndo pelos corredores, mas deu para notar coisas importantes, como a preocupação com o direito de brincar da criança portadora de deficiência - logo na entrada havia um parque com brinquedos inclusivos (filhote adorou), onde todas as crianças podiam brincar juntas, pois a confecção dos brinquedos permitia essa interação; havia também, em um dos stands um mini carro elétrico adaptado (achei a idéia fantástica).
Bene notou algo interessante: a valorização do portador de deficiência como público consumidor. Ficou admirado com a quantidade de stands de montadoras de automóveis na feira e mais ainda quando viu que uma delas estava expondo um veículo pré série, antes do lançamento oficial.
Outra coisa que notei de diferente em comparação à feira anterior foi o espaço reservado às manifestações artísticas dos portadores de deficiência. Ano passado o palco era minúsculo, o pessoal da dança sobre rodas teve que fazer milagre para não despencar com cadeira e tudo de lá. Nesse ano, era um palco bem maior, em uma área ampla, que permitia que todos pudessem assistir sem atropelos. Essa mudança demonstrou respeito e valorização aos portadores de deficiência que fazem arte.
Não visitei os banheiros, mas perguntei ao Bene que me falou que tinha box adaptado, mas não separado, ficava dentro, junto com os outros boxes. Eu não entendo isso, pois existem portadores de deficiência que precisam de ajuda para ir ao banheiro e nem sempre seu companheiro, seu ajudante é do mesmo sexo. E daí, como se faz num caso desse? Não se faz, como no meu caso.
Em casa me viro sozinha, pois o banheiro é perfeitamente adaptado, mas quando saio é com tempo limite para voltar, pois as adaptações deixam sempre a desejar e já conto que o local não terá um banheiro separado, onde Bene possa me ajudar.
Enfim, pesando prós e contras, a feira foi boa pela evolução demonstrada em valorizar o consumidor portador de deficiência, inclusive as crianças (exigentes e determinadas na compra de algo para elas), mas ainda deixou a desejar no quesito acessibilidade.
* Para entrar em contato com Marcela, mande um e-mail para marcelacvs@ig.com.br ou acese seu blog em http://tchela.blogspot.com/.
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