Paulo Tadeu Oliveira comenta notícias divulgadas recentemente
Rede SACI
São Paulo-SP, 13/09/2002
Entre os assuntos abordados estão a adaptação de ônibus e a discriminação do portador de deficiência
Comentário SACI: Paulo Tadeu é portador de visão subnormal e faz doutorado em Estatística no Instituto de Matemática e Estatística da USP. No e-mail abaixo transcrito, ele comentou notícias recentemente divulgadas pela Rede SACI, falou sobre como a Estatística pode ajudar no campo da deficiência e de problemas de adaptação com relação ao ensino
Paulo Tadeu Oliveira
[Paulo Tadeu se refere a matéria:Vereador cria substitutivo de Lei que prejudica deficientes]
1 - A questão proposta pela prefeitura de Jacareí, mais especificamente pelo Vereador Almir, para, à principio, dificultar a obtenção por parte das pessoas deficientes da chamada carteirinha do ônibus da cidade e que muito provavelmente, em um futuro mais próximo, pensaria na extinção definitiva dessa gratuidade.
Com total veemência e indignição que repudio essa atitute e tenho a impressão de que isso está sendo feito em nome de interesses expúrios, que não têm nada a ver com o bem estar da população. Porque eu acredito que se o problema é a existência de atestados médicos falsos, eu pergunto: para que que existe polícia? Para que que existe secretaria de segurança? Para que existe CRM (Conselho Regional de Medicina)?
O que estou tentando dizer com isso? Nos casos que desconfiam que existem fraude, acredito que o correto seria investigação e acredito que existe toda uma legislação que prevê severas punições, e não pessoas que não têm nada a ver com isso serem prejudicadas pelos "espertos"ou que "querem levar vantagem em tudo", como dizia um certo comentariasta esportivo.
[Paulo Tadeu se refere a matéria:Funcionário deficiente também é discriminado no trabalho]
2 - Também para repudiar a discriminação que está sendo feita, me parece que pelos correios, em uma funcionária que tem uma certa deficincia. Parece que desejam voltar para a idade pedra, ou como dizia a frase de um certo presidente: "Aos amigos tudo, aos inimigos a lei", ou mesmo nem a lei, pois muitas vezes elas existem mas o costume é que não sejam cumpridas.
3 - Quanto à questão da estatística, acredito que ela pode ser uma importante ferramenta de auxílio para fazer, antes de mais nada, uma espécie de mapeamento da deficiência no país, para que se possa pensar em como seria possível atacar esse problema.
4 - Também para dizer que para estudar tive certos problemas de adaptação, embora talvez não tenha sido tão complicado como para uma maioria de pessoas que apresentaram problemas até mais graves, pois no meu caso, diria que tive problemas mais sérios durante a infância, ficando com a questão da visão subnormal (pessoa que enxerga mais de perto que seria a distância normal). No meu caso, para ler, só consigo a uma distância de no máximo uns 15 cm do papel escrito e uso um tipo de telescópio para ver um pouco mais longe, como por exemplo um quadro-negro. Com isso o que acontece, é que não posso dirigir, nem mesmo carro adaptado. No meu caso creio que não resolveria.
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