A integração do aluno com deficiência na Rede de Ensino Cap.3

Capítulo 3 - Com os pés no cotidiano

A questão da deficiência

Você acha que as pessoas são todas Iguais? Dificilmente podemos dizer que sim, não é? Todos temos peculiaridades que fazem com que, embora sejamos semelhantes a muitas outras pessoas, em muitos aspectos (idéias, posições, classe social, cor dos olhos e da pele, reações emocionais, formas de manifestar afetividade etc.), somos diferentes. É esse conjunto de características individuais e as diversas formas de pensar, sentir e agir que nos fazem únicos e singulares.

Dessa forma, a sociedade é constituída por indivíduos diferentes entre si, que se identificam no anonimato do grupo.
Os alunos de uma sala de aula, membros da sociedade como qualquer um de nós, também guardam semelhanças entre si, quando olhados como grupo, mas apresentam muitas diferenças em suas peculiaridades individuais. Isso indica que, embora a seqüência das etapas do desenvolvimento seja a mesma para todos e o processo de construção do conhecimento envolva princípios e leis comuns a todos, o ritmo e a forma de vivência desse processo são peculiares a cada aluno. Sabemos, portanto, que somos diferentes uns dos outros, temos preferências diferentes e temos necessidades diferentes. Tais diferenças dependem e são produto da interação das características biológicas com que cada um de nós vem equipado (genéticas, hereditárias e adquiridas após o nascimento), do nível de desenvolvimento real em que cada um de nós se encontra e do significado que atribuímos às situações que vivemos em nosso cotidiano.

As características individuais

O resultado do histórico de vida e da tela de relações sociais que permeiam a existência de cada um de nós - é o responsável, então, pelas necessidades específicas e peculiares de cada pessoa. Ao olharmos para o grupo constituído por nossos alunos, constatamos que algumas diferenças destacam aquele aluno em relação aos demais, seja pela aparência física, seja pela forma e/ou pelo ritmo de desenvolvimento na sala de aula.
Embora já tenhamos apontado para o fato de que todos somos diferentes uns dos outros, a presença de tais diferenças tende - em virtude dos mitos e
preconceitos existentes em nossa realidade social que incorporamos no nosso
pensar acrítico - a nos levar a atribuir ao aluno "diferente" a posição de
"inferior", de "menor valia", de "mais incapaz", de cidadão de segunda
categoria.

Desenvolvimento

Ora, todos podem se desenvolver, todos podem aprender, desde que ensinados e mediados nesse processo. Entretanto, para que isso ocorra, temos que garantir igualdade de condições. No caso da sala de aula, isso significa que é imprescindível que conheçamos as necessidades e as características do "funcionamento" de cada aluno para, a partir delas, fundamentar nossos pianos de ação e nossa ação propriamente dita. Caso contrário, estaremos favorecendo somente aqueles alunos que por acaso estejam "prontos" para ações que objetivamos para o grupo, pressupondo, irrealisticamente, uma homogeneidade absoluta.

Para que possamos melhor exercer nosso papel de educadores junto a esse aluno diferente, é fundamental conhecer, saber identificar e lidar com vários tipos de deficiências visando a tirar o máximo proveito de suas eficiências.

Em geral, quando a criança portadora de algum tipo de deficiência mais evidente, como cegueira, paralisia cerebral, surdez etc., chega à idade escolar, ela já deve ter tido um atendimento especializado anterior, e a professora pode ser orientada sobre a sua evolução e como poderá auxiliá-la em seu desenvolvimento.

Mas há muitos casos de deficiências leves, que passam despercebidos pelos
familiares, mas que podem prejudicar o rendimento da criança em sala de aula.
Por isso, é importante a professora conhecer algumas dicas que lhe permitam
detectar, encaminhar e/ou auxiliar esse aluno em suas dificuldades.

Alunos com deficiência visual

Geralmente, os alunos portadores de deficiência visual apresentam:
irritação constante nos olhos; aproximação do papel junto ao rosto quando escrevem ou lêem; dificuldade para copiar bem da lousa à distância; olhos franzidos para ler o que está escrito na lousa; a cabeça entortada para ler ou escrever, como se procurassem um ângulo melhor para enxergar; dificuldade para encaixes ou atividades que exijam boa coordenação olho/mão; tropeços freqüentes por não enxergar pequenos obstáculos no chão.

Em caso de observação de alguma dessas atitudes, o professor deve:
entrar em contato com os pais para uma troca de informações; posicionar melhor a criança em classe; aplicar o teste de acuidade visual na própria sala (Teste do E), e caso haja algum problema, encaminhar o aluno para algum serviço da comunidade que disponha de um oftalmologista, acompanhado de um relatório de observação.

Muitos de nossos alunos apresentam deficiências visuais, que podem vir a
impor limitações funcionais cada vez maiores, bem como produzir atrasos no
seu desenvolvimento mental. Essa condição desfavorável será mais prejudicial
quanto maior for o grau de deficiência apresentada e quanto mais demorada ou
inadequada for a atuação do professor, especialmente para que o aluno
aprenda a usar os demais sentidos no desenvolvimento de sua capacidade
perceptiva.

O prejuízo ou a perda da visão pode (se não substituída enquanto via de acesso ao conhecimento) impedir que o aluno portador de deficiência perceba e se relacione com o mundo de maneira adequada. Entretanto, podemos atender às suas necessidades proporcionando lhe os meios para que possam usar seus outros sentidos no processo ensino-aprendizagem.

Um primeiro ponto importante é a utilização do tato e da audição. Lembremos que, desde o nascimento, muito do aprendizado da criança se dá por meio da imitação.

A criança com limitações visuais severas não disporá desse mecanismo para
absorver informações. A exploração tátil do ambiente físico e social, orientada e acompanhada pela interação verbal, propiciará condições suficientes para que a criança apreenda conceitos e saiba como agir.
É importante identificar o nível de visão que a criança tem. Para isso, faz-se imprescindível que conversemos com a família e com o aluno, buscando identificar suas possibilidades e seus limites atuais, tanto de locomoção, como de manipulação e de utilização do espaço e dos objetos.

A melhor fonte de informação a respeito de suas necessidades é própria,
Entretanto, o próprio aluno algumas vezes, ela nem sabe o que, nem como
informar. Daí, a necessidade de olharmos o contexto e solicitarmos as
informações que percebermos relevantes.

Ajudando o aluno

É importante, também, que ajudemos o aluno a se familiarizar com o espaço
escolar em geral, e o da sala de aula em particular. Para tanto, precisamos
percorrer com ele os ambientes de utilização mais constante, descrevendo-os e monitorando-a em sua exploração tátil. A classe que conta com algum aluno portador de deficiência visual precisa ser estável e confortável em sua configuração. Isto facilita para o aluno sua mobilidade e locomoção, como também evita o risco de acidentes. No caso de modificações estruturais serem decididas, é necessário que ele participe da modificação, sendo necessária novamente a exploração tátil, monitorada, da nova configuração. Pequenas alterações do espaço físico, que para o vidente passam despercebidas, podem se tornar grandes perigos para o deficiente visual. Além disso, deve-se sempre prever espaço suficiente para a movimentação de qualquer aluno, sem empecilhos ou detalhes físicos que possam prejudicar sua livre locomoção em sala de aula. Uma outra ação importante é discutir com a classe o procedimento mais adequado para guiar o deficiente visual severo. Oferecer-lhe o braço flexionado, de forma que ele possa segurar o guia pelo cotovelo, é a forma correta de conduzido com segurança. É também interessante buscar, no grupo, colegas que se disponham a ajudá-lo nos momentos de necessidade. A conversa clara e tranqüila sobre as peculiaridades de suas necessidades é sempre aconselhável para que a ajuda de fato seja útil e não num estorvo.

No que se refere ao material didático, faz-se necessário garantir o acesso às informações por outros meios que não o uso exclusivo da visão. Gravações em fita cassete, por exemplo, são de grande ajuda. A exploração tátil dos objetos de estudo, mediada verbalmente, deve ser viabilizada e enfatizada sempre que possível, de forma que o aluno possa construir os conceitos e incorporá-los ao conjunto de seus conhecimentos.

Tendência ao isolamento

Muitos dos alunos portadores de deficiência visuais tendem a se isolar por não se sentirem suficientemente confiantes para a locomoção e a participação em atividades de grupo, cuja configuração visual não dominam, ou mesmo por não encontrarem a acolhida que precisam para integração no grupo.

Daí, a importância de se investir, primeiramente, na aquisição da autonomia da locomoção, seja buscando profissional especializado para efetivar o treino de locomoção independente, seja provendo guias dentre os seus próprios parceiros sociais. No caso de alunos que apresentam limitações visuais grandes, mas que não impedem totalmente a visão, a utilização de cores fortes e contrastantes para demarcar e sinalizar espaços, degraus e direção pode ser de grande utilidade para prevenir acidentes. Uma característica que prejudica a integraçãodo deficiente visual no grupo é a ausência de expressões faciais em sua comunicação. Estudos têm mostrado que os videntes - além de não estarem habitualmente expostos à convivência com diferenças mercantes e por isso não saberem lidar com elas - sentem-se ainda inseguros e incomodados quando seu interlocutor não emite uma sinalização não verbal que, para os que vêem, é parte integrante e muito importante para a decodificação das mensagens de toda comunicação.

Por isso é muito importante a estimulação precoce das crianças que nascem ou ficam cegas em tenra idade, para que aprendam a imitar as expressões faciais de alegria, tristeza, perplexidade, etc. Atividades de expressão corporal, além de serem agradáveis, favorecem um maior conhecimento e domínio do próprio corpo, dando-lhe maior confiança e facilidade para movimentar-se no espaço.

E, finalmente, estimule seu contato social, inicialmente monitorando o aluno portador deficiência e dando-lhe acompanhamento integral, e retirando-se gradativamente do cenário, à medida que a integração vai se instalando e a criança portadora de deficiência vai adquirindo confiança.

Alunos com deficiência auditiva

Geralmente, o aluno portador de deficiência auditiva:
não responde a um chamado em voz normal; quando de costas, não se volta para a pessoa que lhe dirige a palavra; às vezes, pode responder mais prontamente quando o chamam de um lado, o que demonstra maior perda no outro ouvido; entende melhor as ordens quando elas vêm acompanhadas de gestos; durante atividades em grupo, com muitos falando ao esmo informações, pode parecer perdido, desorientado; pode apresentar comportamento mais irritadiço devido ao excesso de esforço que faz para ouvir e entender situações do meio ambiente; às vezes, apresenta trocas e omissões de fonemas na fala e na escrita.

Em caso de observação de alguma dessas atitudes, a professora deve:
entrar em contato com os pais para troca de informações; encaminhar para um médico otorrinolaringologista e uma fonoaudióloga que poderão realizar testes mais específicos e dar seguimento ao caso.
O prejuízo auditivo permanente é um quadro que pode prejudicar em muito o aluno, caso as medidas necessárias para garantir o desenvolvimento desse aluno não sejam tomadas o mais brevemente possível. Sabemos que a audição é essencial para a aquisição da linguagem que, por sua vez, é essencial para a comunicação e a construção do conhecimento sobre a realidade.

Um aluno surdo ou hipoacústico necessita que alguns cuidados específicos sejam tomados para favorecer sua aprendizagem e seu desenvolvimento. Um aluno que não apresenta, ainda, a capacidade de comunicação necessita de ensino especializado para que possa se Integrar à sala de aula regular. Dependendo de como adquiriu a deficiência e em que nível de capacidade de comunicação se encontra, decisões diferenciadas podem ser tomadas.
Caso sua deficiência tenha sido detectada, tenha havido uma intervenção precoce (ainda no primeiro ano de vida) e a criança já esteja sendo estimulada a se comunicar globalmente, é possível integrá-la em classe regular desde a pré-escola ou desde a alfabetização.

Cuidados específicos

Infelizmente, como esta não é uma situação freqüente em nossa realidade, de maneira geral tem-se recomendado que o portador de deficiência auditiva seja primeiramente encaminhado ao ensino especializado e, assim que adquirir
condições mínimas de comunicação (por sinais, leitura labial, ou uma ombinação de estratégias), passe também a freqüentar, no período alternado, a classe regular, até que possa nela permanecer.

O professor que tiver em sua sala de aula um aluno portador de deficiência
auditiva, deve familiarizar-se com os aparelhos auditivos (próteses, ou outros meios auxiliares) que possam estar sendo usados por ele. É importante
certificar-se de que os equipamentos estão funcionando apropriadamente na sala de aula, e saber detectar, com o aluno, quando eles apresentarem problemas. Para tanto, é importante manter contato com o professor da sala de recursos, ou mesmo solicitar orientação do médico que atende ou tenha atendido o aluno.

Na relação professor-aluno portador de deficiência auditiva, é essencial que
sejamos verbais e visuais em nossas interações. Isto implica, primeiramente, em garantir que o aluno se sente em lugar de onde possa ver o restante da classe, com facilidade. Se ele depende da leitura labial, faz-se essencial garantir-lhe a possibilidade de visão dos lábios do professor e dos colegas. Quando houver um residual auditivo é importante que o aluno se posicione o mais próximo possível do professor. E, claro, não adianta nada gritar.

Instruções curtas

Devemos nos assegurar de que esse aluno saiba o que está acontecendo o tempo todo. Para tanto, devemos apresentar, sempre, instruções curtas, claras, bem-pronunciadas, solicitando ao aluno que nos relate o que entendeu, antes de iniciar qualquer atividade. Obviamente que falar com a classe enquanto escreve na lousa, ou seja, de costas para ele, impede que o portador de deficiência perceba que alguma coisa está acontecendo. É interessante, portanto, contar com um colega que possa informar-lhe individualmente o que está ocorrendo, quando o professor estiver ocupado com outra atividade.

Uma outra ação, que facilita o acesso do aluno ao que está acontecendo no
ambiente da sala de aula, é escrever na lousa o que você disse.Isso ajuda a
tirar qualquer dúvida que ele tenha.

Ao introduzirmos conceitos novos, é interessante usar representações gráficas, figuras, desenhos, etc., como meios auxiliares à comunicação verbal. Isto torna o conteúdo da informação mais acessível ao portador de deficiência auditiva. O atendimento individual também deve ser utilizado quando for preciso para atender às suas necessidades peculiares.

É importante também que, ao escrever, sejam usadas sempre frases completas, favorecendo-lhe a compreensão de como as palavras funcionam juntas.Outra ação importante é estimular a interação dos alunos ouvintes com o portador de deficiência auditiva, ensinando-os a estarem sempre no ângulo de visão do colega, antes de começar a falar. Deve-se evitar o contato físico para obter a atenção do aluno surdo, pois isto pode criar problemas de relacionamento. Além disso, não é bom para o aluno habituar-se a depender do toque, pois este nem sempre lhe estará disponível fora da escola.

A utilização da língua de sinais, da mímica, da dramatização facilita a
compreensão do conteúdo curricular pelo aluno surdo, A presença de intérprete da língua de sinais / português é um recurso que já se faz presente em algumas instituições de ensino.

Alunos com deficiências físicas

Para detectar deficiências físicas observe se o aluno:
tem dificuldade para correr e costuma cair com freqüência (pé chato,
genuvalgo, etc); não consegue pular obstáculos, chutar bola, etc;queixa-se de dores nas pernas e pés;não tem força ou direção quando arremessa uma bola para um colega; segura o lápis com muita força ou pouca força;
não consegue fazer círculos ou letras redondas; tem dificuldade para realizar encaixes e atividades que exijam coordenação motora fina.tem grande dificuldade para andar, pular, correr ou mesmo não consegue realizar essas atividades; tem problemas motores que dificultam ou impedem as atividades em classe; apresentam amputações e/ou seqüelas de: poliomielite, paralisia cerebral, ou traumatismos que ocasionam monoplegia, diplegia, hemiplegia, paraplegia e quadriplegia.

Nesses casos a professora deve:

entrar em contato com os pais e verificar se essas dificuldades também
ocorrem no lar; se necessário, encaminhar para ortopedista em caso de problema no aparelho locomotor; em casos de problemas com a coordenação motora fina realizar, em sala de aula ou no lar, atividades que auxiliem o aluno a superar essas dificuldades.

A deficiência física é um quadro constituído por limitações funcionais da
mobilidade e da locomoção do aluno. Dependendo de sua natureza e grau, pode significar também diminuição da capacidade de manipulação de objetos e mesmo de comunicação.

É importante ressaltar que mesmo nos casos de deficiência física onde há um
comprometimento da fala não há necessariamente deficiência mental. Nos casos de paralisia cerebral por exemplo, a deficiência mental pode ou não estar associada.

Tendo origens diferentes, é necessário informar-se quais as limitações
específicas que cada aluno apresenta e quais as implicações decorrentes desses impedimentos para a vida do aluno em casa e na escola.
Além das deficiências, há, ainda, aquelas doenças (como a Aids, a epilepsia, o diabetes, o enfisema pulmonar, etc.) que provocam limitações físicas não aparentes, mas que exigem cuidados específicos não só para a preservação da saúde e do bem-estar do aluno, mas também para prevenir complicações mais sérias. É preciso estar informado para adotar as medidas adequadas em proveito do aluno.

O próprio aluno é sempre a melhor fonte de informações sobre si mesmo. Não
devemos subestimar a sua capacidade de saber o que é bom ou não para ele. Mas os pais também devem ser procurados para complementar essas informações. Caso há a necessidade, pode-se pedir um contato com o médico do aluno, para saber mais detalhes sobre as suas condições físicas e quais suas possibilidades e limitações, sempre visando a obter sua participação produtiva no processo ensino-apredizagem.

O aluno e as informações

Basicamente, as informações que devemos buscar dizem respeito aos medicamentos que o aluno toma (caso o faça); quais os horários de medicação; se tem horário estabelecido para ir ao banheiro; que tipo de ajuda física necessita; quanto de autonomia tem para a locomoção; qual o seu nível de funcionamento físico para as diferentes atividades desenvolvidas na escola; se tem crises, quais os procedimentos recomendados para atendê-la nesses momentos; enfim, todas as informações que nos parecerem necessárias para que possamos planejar sua introdução na sala seguros quanto aos procedimentos adequados.

Mas o mais importante é ter sempre em mente que esse nosso cuidado em relação ao aluno com deficiência deve ter a finalidade de ajudá-lo a se sentir seguro e confortável. A superproteção é tão danosa para o aluno quanto o não-atendimento.

Um outro aspecto importante é o de estarmos atentos à postura do aluno. Tanto aqueles usuárias de equipamentos auxiliares, como os que usam membros artificiais podem se utilizar das carteiras comuns que temos em nossa sala de aula.

Entretanto, é importante conversar com o aluno para saber se há alguma
dificuldade e como ela pode ser sanada. Muitas vezes a utilização de carteiras que têm um braço alargado para servir de suporte para a escrita (carteiras universitárias) resolve facilmente a questão. Mas, pode acontecer de esse modelo não apresentar segurança suficiente para o aluno se apoiar nela ao levantar-se ou sentar-se. Pergunte e o aluno lhe dirá o que acha que é melhor.

A postura sentada também deve ser observada, para prevenir o agravamento de algumas limitações. Por isso é interessante informar-se sobre qual postura é
mais adequada para cada aluno.

Os usuários de cadeira de rodas, geralmente, precisam mudar de posição
regularmente, para evitar problemas de coluna, de circulação e renais. O cansaço e o desconforto causados por uma longa permanência na mesma posição precisam ser evitados. Pode ser que o aluno precise de ajuda para mudar sua postura. Pergunte a ele como ajudar.

Conversar com a turma sobre as necessidades de cada um e desse aluno em
particular é um procedimento que promove a consciência e a cooperação. É
importante que o grupo conheça as necessidades específicas desse aluno e como é importante colaborar para que ela se sinta bem em classe. Caso seja necessário, podemos sempre conseguir, no grupo, colegas amadurecidos e responsáveis, que podem nos auxiliar nos cuidados e assistência às peculiaridades do colega portador de deficiência física.

No que se refere à adaptação de objetos para a atividade escolar, existem muitos equipamentos que beneficiam o aluno portador de deficiência física em sala de aula. A observação das dificuldades e a discussão com o aluno sobre o que tornaria suas atividades confortáveis podem originar novas e criativas adaptações úteis. Connor (1982) oferece, dentre muitas, algumas sugestões para as atividades de leitura e de escrita:
utilizar réguas ou mercadores de linhas, para facilitar a leitura dos alunos
que apresentam distúrbios motores e de equilíbrio;
utilizar cartões com fendas, para deixar visível uma linha de cada vez, para
os mesmos casos;
utilizar quadros grandes, contendo os textos escritos com letras grandes,
para os alunos que apresentam ataxia, o que freqüentemente lhes provoca
náuseas e tonturas, quando da leitura de um livro colocado sob os olhos;
fixar a folha ou caderno com uma moldura de fita adesiva, ou colar apenas os
cantos, de forma a fixar a superfície sobre a qual o aluno vai escrever;
dobrar a folha ao longo das linhas, ou de duas em duas linhas, de forma a
permitir uma orientação pelo tato, para os que tiverem problemas de
orientação espacial, ou de coordenação fina; permitir ao aluno que apresenta movimentos voluntários que escreva sobre uma fina camada de argila, o que certamente será mais fácil do que escrever no papel; permitir e viabilizar o uso de máquina de escrever elétrica para os alunos que apresentam pouca força muscular.

Além destes exemplos, muitas outras coisas podem ser feitas, tais como engrossar a largura de um lápis enrolando-o com esparadrapo, para aumentar a superfície de contato com a mão e favorecer a coordenação. Para a proteção do material escolar, que muitas vezes é rasgado por movimentos involuntários ou manchado pela baba não controlada, faz-se interessante trabalhar com folhas soltas, ao invés de caderno, mantendo-as em saquinhos de plásticos individuais.

Muitos apresentam o comprometimento da fala, o que torna a manifestação em
público difícil, tanto para quem fala, como para quem ouve. Isto também precisa ser discutido com a classe. É importante ouvir com paciência o aluno que apresenta essa dificuldade, sem procurar "ajudá-lo", terminando as frases para ele, por meio da adivinhação. Dizer "não entendi, tente falar de novo" quantas vezes for necessário (desde que com calma e sem recriminação) permite que a criança se sinta mais à vontade para exercitar a comunicação.

A participação consciente e responsável dos demais alunos é muito importante
para a integração social do aluno portador de deficiência física.Para que isso ocorra, entretanto, precisamos dar-lhes as oportunidade para falar a respeito da deficiência, explicitar suas fantasias e mitos, confrontando tudo isto com as características peculiares da realidade do colega deficiente.

Dessa forma, estaremos atuando educacionalmente, pois já está mais do que
demonstrado que a convivência regular e saudável com portadores de deficiências resulta e benefícios mútuos para portadores e não portadores de Deficiência.

Alunos com deficiência mental

O aluno portador de deficiência mental, geralmente apresenta algumas
características:

Observe se o aluno:



  • consegue entender ordens simples, mas apresenta mais dificuldades quando se dão duas ou mais ordens complexas;

  • possui pouca iniciativa, pouca criatividade e pouco espírito crítico;

  • pode ter maior dificuldade para se expressar e para controlar emoções;

  • apresenta ritmo de aprendizagem mais lento, necessitando de repetidas explicações;

  • tem maior dificuldade em abstrair e generalizar;

  • pode apresentar problemas para se adaptar a novas situações.

Nesses casos, a professora deve:
entrar em contato com os pais e verificar se essas atitudes também ocorrem
no lar; encaminhar a criança, caso julgue necessário, com relatório de observação, para um psicólogo que possa realizar um diagnóstico diferencial.
O aluno portador de deficiência mental é um aluno como qualquer outro, cujo
processo de desenvolvimento se dá através das mesmas fases e da mesma seqüência.

A maior diferença, em geral, reside no seu ritmo de aprendizagem. Pode exigir mais tempo de contato e maior diversidade de formas de apresentação dos conteúdos do que a maioria dos alunos. Na maioria das vezes, ele não aprende porque não respeitamos seu nível de desenvolvimento. Para que o aluno portador de deficiente mental aprenda, é fundamental fazer uma avaliação objetiva e segura do que ele já sabe, de que tipo de operações mentais ele já consegue se utilizar, de que conceitos (natureza e tipo de relações entre eles) ele já dispõe. Com base nisso podemos planejar nossas ações adequadamente. Caso contrário, o ensino será feito em bases artificiais e, conseqüentemente, este não terá sucesso. E nesses casos, é comum culpar a criança colocando-lhe um rótulo que será totalmente prejudicial.

O que fazer então?

Primeiro, devemos agir exatamente como fazemos com qualquer de nossos alunos, ou seja, identificar em que nível de desenvolvimento o aluno portador de deficiência se encontra, o que ela já sabe e como se utiliza daquilo que já sabe. A partir daí, devemos elaborar nosso planejamento.

Aprendendo e assimilando

Da mesma forma como fazemos com todas as crianças, no que diz respeito aos alunos com deficiência mental, é Importante que iniciemos com conceitos e operações simples e concretas, construindo gradativamente a complexidade e a abstração. Sempre devemos nos assegurar de que nosso aluno realmente aprendeu e assimilou o conhecimento anterior. Trabalhe várias vezes com os mesmos conceitos, por períodos mais curtos de tempo, associando-os a diferentes instâncias da realidade.

Como o aluno portador de deficiência mental apresenta grande facilidade para se distrair com estímulos alheios à aprendizagem, é interessante que ele se sente em local onde esses estímulos sejam menores. É importante explicitar verbal e constantemente os conteúdos em questão, de forma que o aluno possa sempre estar exposta visual e auditivamente à situação de ensino.

Devemos sempre elogiar os sucessos do aluno e compreender afetuosamente as suas dificuldades, buscando minorá-las.
Como vemos, a aprendizagem do aluno deficiente mental não exige do bom educador ou nada de muito diferente daquilo que ele está habituado a fazer com todos os seus alunos, exceto, talvez, o uso mais freqüente da prática monitorada, da utilização de maior diversidade de material e de mais tempo que o comumente usado para a construção do conhecimento.

Atividades integradas

A participação do aluno portador de deficiência nas atividades extracurriculares
de forma integrada com seus colegas é muito importante, pois beneficia a
percepção mais ampla da realidade social e favorece o desenvolvimento geral do aluno. Essas atividades integradas devem ser incentivadas. Para evitar posturas inadequadas, devemos refletir com a classe, clara e respeitosamente, sobre as peculiaridades do colega com deficiência, para que compreendam que ele faz parte do grupo e será beneficiado com sua participação em todas as atividades.
Os assuntos que aqui compartilhamos são simplesmente uma rápida pincelada do muito que poderíamos e gostaríamos de conversar. Nossas sugestões sempre poderão ser complementadas pela criatividade do professor interessado e afetuoso, que deseja construir uma relação professor-aluno produtiva, construtiva e transformadora de nossa realidade.
Sempre é bom lembrar a importância da participação da família. Por mais simples que sejam, os parentes mais próximos, como pais e irmãos, podem, querem e devem participar. E os professores devem ajudá-los nessa tarefa, prestando-lhes informações, orientações, e fazendo-os sentirem-se partes integrantes e indispensáveis do processo.
É importante saber que existem diversos profissionais de diferentes áreas do
conhecimento que podem nos ajudar quando tivermos esgotado todos os nossos recursos e, mesmo assim, sentirmos que é preciso fazer mais para ajudar nosso aluno com deficiência. Basta buscar na sua comunidade, e certamente você encontrará a assessoria de que precisa.

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Governo do Estado de Mato Grosso

Secretaria de Estado de Educação

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