Escolas particulares inclusivas na cidade de São Paulo

Rede SACI
São Paulo, 26/06/2002

Casos de instituições não especializadas que aceitam portadores de deficiência

Camila Claro

Essa reportagem foi realizada a partir de uma lista disponibilizada por Sandra Mansueti Ribeiro smmrsmmr@terra.com.br, mãe de Gabriel (portador de síndrome de Down) e Gustavo. Procuramos entender quais razões levam as instituições de ensino a recusar alunos portadores de deficiência e que restrições possuem os colégios inclusivos. Acreditamos ser esse um serviço útil não só aos pais, como também aos pesquisadores e profissionais da área. A relação abaixo está organizada segundo o nome da escola e do responsável que concedeu a entrevista.

Colégio Jean Piaget de Educação Infantil e Ensino Fundamental Campo Belo

Sônia Dreyfuss - Coordenadora Pedagógica do Ensino Fundamental

Desde sua fundação, há 14 anos, a escola recebe crianças portadoras de todos os tipos de deficiência em salas regulares. Atualmente, estão matriculados alunos com síndrome de Down, distúrbios de comunicação, hemiplegia e comprometimentos decorrentes da hidrocefalia. Os professores estão em constante formação para aceitar a diversidade seguindo a linha construtivista adotada pelo colégio. As crianças com necessidades educacionais especiais podem receber aulas de reforço e materiais adaptados para seu caso. Antes da entrada do aluno no colégio, são feitas entrevistas com a própria criança, os pais e os profissionais que atuaram junto a ela (terapeutas, ex-professores, etc).
O endereço da instituição é R. Zacarias de Góes, 749, Campo Belo, e o telefone 5093-2056.
O valor da mensalidade varia conforme a classe.

Escola Bem me quer

Érica Mantovani - Orientadora Pedagógica

Há seis anos o colégio possui um projeto específico para a inclusão de alunos com necessidades especiais, mas desde sua fundação existem crianças com deficiência nas salas regulares. Os primeiros alunos com síndrome de Down da escola, por exemplo, já estão com 20 anos. É realizado mensalmente um curso de reciclagem para os professores interessados, que criam materiais adaptados ao caso da criança e entram em contato com os profissionais específicos da área (fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, principalmente). As salas possuem 18 alunos cada e no máximo dois deles são portadores de necessidades educacionais especiais.
O endereço da instituição é R. Prof. Atílio Inocenti 193, Itaim Bibi, telefone 3079-9411.
O valor da mensalidade do ensino fundamental é R1.

Colégio Terra Brasilis

Cláudia Ielo - Coordenadora Pedagógica

Recentemente a escola foi vendida e seus novos proprietários ainda não possuem um projeto específico para a inclusão, mas o colégio abriga diversos alunos portadores de deficiência auditiva e mental em suas classes regulares.
O endereço da instituição é estrada Benedito Cesário de Oliveira 202, Vila Iasi, Taboão da Serra, telefone 4137-7342.
O valor da mensalidade do ensino infantil é R9, da 1 à 4 série, R0 e da 5 a 8, R0.

Colégio Giordano Bruno

Andrea Teresa Tammaro Costa - Coordenadora do ensino fundamental

Em princípio, a escola não aceita crianças portadoras de deficiência por não possuir profissionais especializados na área, mas, na prática, conforme o desenvolvimento anterior do aluno e as condições avaliadas em entrevista com a família, há a possibilidade de ser feita a matrícula. Possuem uma aluna com deficiência física que usa cadeira de rodas e está na quarta-série. É feito um rodízio de salas na escola e, como alguns ambientes só são acessíveis através de escadas, os funcionários e colegas auxiliam a locomoção da garota, que participa também das aulas de educação física. Existem outros dois alunos portadores de síndromes que afetam a cognição que foram aceitos depois de uma consulta aos professores. A coordenadora acredita que a inclusão deve ser feita mantendo o aluno na mesma classe dos outros e avaliando-o da mesma forma. "Até que ponto mudar o currículo é incluir ?", questiona-se ela, lembrando que algumas escolas chegam a cobrar uma mensalidade mais elevada dos pais dessas crianças para compensar as dificuldades cotidianas. O procedimento é polêmico, mas justificável, pois em escolas de pequeno porte (a Giordano Bruno tem cerca de 270 alunos) não existem funcionários disponíveis para um acompanhamento personalizado da criança com deficiência.
O endereço do colégio é R. Fernando Caldas, 28, Jardim Rolinópolis, e o telefone 3722-0588.
O valor da mensalidade de 1 à 4 série é 384R$
E-mail, colgiordanobruno@uol.com.br.

Grupo Oficina

Cláudia Alves de Almeida Lima - Coordenadora Pedagógica

Escola de ensino Infantil, abriga as crianças de até seis anos. É feita uma pré-avaliação para decidir qual é a classe mais adequada e o aluno fica nas salas regulares que possuem duas professoras. Atualmente, estão matriculados alunos portadores de deficiência mental. O grupo está iniciando uma orientação mais específica para os educadores seguindo o projeto "Mais um", criado por pais de deficientes.
O endereço é Av. Martin Luther King 1861, Jd. Umuarama, Osasco.
O telefone é 3768-1032 e o valor da mensalidade, R8 para meio período e R6 para período integral. Mais informações através do e-mail grupoficina@ig.com.br.


Colégio Oswald de Andrade/Caravelas

Maria Antonieta - Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil

É feita uma avaliação com os pais e profissionais especializados para decidir se a escola tem ou não condições de abrigar a criança. Isso porque nem todos os espaços possuem as condições de acessibilidade necessárias a um portador de deficiência física, por exemplo. Em alguns casos, é usado o auxílio de um acompanhante que assiste as aulas com a criança e desenvolve recursos específicos. Atualmente, estão matriculados portadores de deficiência auditiva e alunos com distúrbios de comunicação. No próximo ano, haverá também um garoto com síndrome de Down. As diretoras têm assistido palestras para conhecer projetos inclusivos capazes de servir como referência, por exemplo o projeto ROMA (veja informações sobre o projeto em O Projeto Roma e a inclusão escolar).
O endereço da instituição é R. Girassol 898, Vila Madalena, telefone 3813-3054.
O valor da mensalidade varia em torno de R$ 600.

Colégio Guilherme Dumont Villares

Satiko Kitamura - Diretora do Ensino Fundamental e orientadora educacional

A escola possui diversos alunos com dislexia e outros distúrbios de comunicação. Já teve também crianças com tetraplegia que eram auxiliadas por funcionários e colegas pois o banheiro não é adaptado e alguns ambientes só são acessíveis através de escadas. Antes da matrícula, a diretora da instituição, Eliana, entrevista a família da criança, que passa pela mesma avaliação dos outros candidatos à entrada no colégio. Em seguida é feita uma reunião com a equipe de apoio que avalia o caso junto aos professores, pois nem sempre é possível atender às necessidades do aluno.
O endereço da instituição é Av. Guilherme Dumont Villares 723, Morumbi, telefone 3746-5515.
O valor da mensalidade de 1a a 4a série é 451,83R$ e, da 5a a 8a série, 506,70R$.

Núcleo Educacional Bosque do Morumbi

Cecília Santana - fonoaudióloga supervisora do programa de inclusão de alunos com necessidades especiais, que existe há 15 anos (a escola tem 25 anos).

Existe um aluno portador de paralisia cerebral na 5a série que está matriculado desde o ensino infantil, um garoto com deficiência auditiva que usa aparelho e alunos com síndrome de Down. Nem todos os espaços da escola são acessíveis, mas a escolha da sala em que o aluno portador de deficiência estudará é feita contemplando esse aspecto. Em alguns casos, é necessário um professor especial e aulas extras para a criança, o que faz com que o valor da mensalidade varie. Realizam a adaptação do currículo pois, segundo Cecília, "a escola deve se adaptar ao aluno, e não o contrário". Não aceitam casos de surdez e cegueira total pois as adaptações necessárias são demasiado complexas. Para a realização da matrícula, é feita uma entrevista com os pais e o novo aluno é avaliado junto ao grupo de crianças da sua série.
O endereço da instituição é R. Dr. Luis Migliano 425 e 407, no Morumbi, e o telefone, 3742-4571.

Colégio Montessori

Edna Consuelo Leão - Coordenadora Pedagógica

Possuem dois casos de crianças portadoras de deficiência na escola. Um deles é um portador de deficiência mental que está no maternal e o outro é um usuário de cadeira de rodas da quarta-série, que realiza inclusive as aulas de educação física. Antes da matrícula de alunos com necessidades especiais, a escola contata a equipe médica responsável pelo atendimento da criança e pede um laudo técnico que será usado pelos pedagogos. São feitas reuniões mensais de capacitação para funcionários e professores da escola e os alunos com deficiência têm o mesmo currículo dos outros.
O endereço do colégio, que vai até a 7a série, é Av. General Valdomiro de Lima, 288.
A mensalidade varia em torno de R0.

Colégio Criativa

Não fornecem informações a jornalistas, a não ser pessoalmente. Segundo Sandra, a inclusão é feita através de turmas paralelas. Quando as crianças estão prontas, são transferidas para as salas regulares. A diretora disse à usuária da Rede que não acredita na inclusão de um por sala.
O endereço da instituição é R. Baronesa Bela Vista, 353, bairro Aeroporto, e os telefones 5533-2312 e 5543-3848.

Stela Veloso, diretora pedagógica do colégio Cristovão Colombo (telefone 3744-1005) e Cláudia Boscari, profissional de marketing da escola Augusto Laranja (telefone 5041-4433) foram entrevistadas e disseram que as instituições onde trabalham não aceitam crianças portadoras de deficiência por não possuírem profissionais especializados capazes de dar o atendimento necessário. Quando recebem essa demanda, elas encaminham as crianças para outras escolas. O colégio Joana D’Arc nos respondeu por e-mail (secretaria@colegiojoanadarc.com.br ou telefone 3814-8497) que nunca teve demanda de pais de crianças com deficiência, mas Sandra Mansueti Ribeiro entrou em contato com eles, que recusaram seu filho, portador de síndrome de Down.

Aguardamos a resposta de diversos colégios como o Módulo (telefone 3872-5711), Logos (telefone 3081-4077), Galileu Galilei (telefone 3742-3999), Domus Sapientae (telefone 3849-1777), Rousseau (telefone 5572-4844), Vera Cruz (telefone 3021-2050), Nossa Senhora das Graças (telefone 3167-0481), Mater Dei (telefone 3887-0400), Ítaca (telefone 3751-1633), Escola da Vila (telefone 3726-3578) e Renascença (telefone 3824-0788).
O material recebido dará origem à segunda parte dessa reportagem.

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